(por Rodrigo Alzuguir)
Não sei se ela ainda é viva. Se for deve estar bem idosa. Rainha do
craquelê, da pintura em vidro, do decalque, do entalhe em madeira e outras
técnicas menos votadas, a saudosa Pilar tentou administrar durante alguns
anos a balbúrdia das aulas de artesanato do Teresiano. O fato é que foi
responsável por uma produção desenfreada de quinquilharias que nossos pais
recebiam de presente e escondiam rapidamente em algum canto escuro da casa.
Se é que não jogavam fora assim que a gente saía de perto.
Lembro que a Pilar tentava ser durona e não dava muita sopa, mas a gente
deitava e rolava com ela. De vez em quando ela pegava um pra cristo e
passava um sermão. Pra intimidar o oponente, a "cucaracha" chegava junto:
cara a cara, olho no olho, o mais perto possível, ela ia falando naquele
portunhol rápido e meio cuspido que o Dannemann imita. A gente não entendia
nada, prendia a respiração, e deixava ela falar.
Acho que o entalhe em madeira foi abolido por minha causa. Uma vez, eles
distribuíram pra cada "artista" umas "táuba" empenada dura para cacildis,
dizendo que era aula de entalhe em madeira. Eu, com a minha boçalidade, na
primeira formãozada meti o formão no dedo, na raiz da unha. O sangue jorrou.
A Pilar ficou que nem cucaracha tonta tentando conter a sangria desatada.
Pra falar a verdade, não sei se nesse dia a professora era a Tamar.
Aliás, Pilar, Tamar, Dumara... cada nome!
Bom, mas isso tudo é preâmbulo para falar do Pilar Bowling, um esporte
efêmero que despontou nas quadras do Teresiano. Não lembro quem estava em
campo na quadra de vôlei (a de cimento) naquele dia. Sei que eu estava, no
lado mais perto do rio. O "volibol" comia solto ni qui a Pilar veio passando
lá atrás, apressadinha, carregando umas pastas, provavelmente novas técnicas
de artesanato espanholas. Também não lembro quem baixou o cacete, numa
cortada daquelas retumbantes. A bola passou por cima da quadra adversária e
foi xispando pelo ar, cheia de efeito. A gente não acreditou quando viu que
ela ia na direção da rainha do craquelê. Pois é, entre tantos alvos
possíveis pra carimbar, a "gorduchinha" escolheu a carapinha ruiva da
Pilar!!! Foi uma baita cacetada no quengo da coitada! Lembro que ela caiu no
chão de perna pro ar e as pastas e papéis voaram alto. A cena foi tão
surpreendente que todos na quadra caímos no chão também - rindo. Ninguém
teve forças pra ir acudir a "craquelada"!!! Desfecho: Pilar se levantou por
conta própria, catou suas coisas, e nem olhou para trás.
31 de julho de 2007
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7 comentários:
E vc esqueceu de falar do bafao dela, coitada! Isso sim é que era INESQUECÍVEL!!! Beijos, Marcia
incrivel gente ... mas to deprimida rsrsrsr nao lembro de NADA disso ... deve ser sekuela braba mesmo. de qq forma to rindo a mil aki bjo.
concordo c a mércia: inesquecivel de verdade era o BAFÃO!!!
PUUUUATZ!!!
silvia
Caraca! Falou em Pilar, associo ao baaafoooo! INESQUECÍVEL mesmo!Sem falar dos perdigotos...
Bjs.
Bebel.
Alzuga,
A cucaracha era mais intimidadora do que a Marília Gabriela no cara a cara!!! Era uma chuva de perdigotos que faço questão de demonstrar em público munido de um plástico medidor de partículas, na nossa festa de 20 anos...
A Silvia pode ficar com a imitação do sotaque portunhol aceleradíssimo e imcompreensível da saudosa Pilar!
abs,
Rodri
Só não mencionei a bafuranga porque o Rodriguete falou que isso um dia vai virar livro... Fiquei com dó da véia! Outra: quero ver a mulherada sair do comentário pra crônica. Mal posso esperar pra ler umas linhas da Silvinha, da Márcia e gangue!!!
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