23 de julho de 2007

Pânico no Sugar-Loaf

Galera,

Lembrei de outra estória muito engraçada da época da nossa sétima/oitava série (1984/1985). Quem participou dessa certamente vai lembrar... O personagem principal do episódio foi nosso professor e centurião romano Marcellus. Para os que não lembram, o Marcellus além de professor de Educação Física era também guia de caminhadas de várias trilhas cariocas...
Para todos os efeitos, uma de suas propostas extra-curriculares aprovadas pela direção do colégio foi a subida do Pão de Açúcar. Pelo que me lembro, no máximo uns 15 alunos encararam o desafio e se apresentaram na praça da praia vermelha (ali em frente ao IME) as 7 da matina de um sabadão no meio do nosso ano letivo... Sinceramente não lembro dos presentes precisamente... Sei dizer que eu, o Estevão e o PC certamente estávamos nessa parada, além da Patrícia Leal e outras meninas...
Após a chegada de todos os intrépidos alpinistas ao ponto de encontro, o prof. Marcellus fez uma meia dúzia de recomendações de primeira ordem, pediu pro PC não escarrar em ninguém lá de cima (licença poética minha, vai), anunciou que havia um trecho no qual mandatoriamente utilizaríamos um acessório de alpinismo para auxiliar na nossa subida (descrito como "calcinha"), demos um confere nas garrafinhas d'água e lanches, para então partirmos pela pista Claudio Coutinho rumo ao nosso destino: o topo do Pão de Açúcar.
Enquanto percorríamos o trajeto plano de mais ou menos 3 Km até o final da pista, todos nós conversávamos animadamente sobre a aventura, a privilegiada vista do mar, as belezas do Rio de Janeiro e aquelas amenidades típicas de quem ainda nem virou direito os 15 anos (saudades dessa época)... O fato é que, pelo menos para mim que só tinha escalado no máximo o morrinho situado do outro lado da pontezinha do Teresiano, a impressão era de que iríamos escalar o morro da Urca (o mais baixo dos dois)... Dali de onde estávamos, já me parecia um desafio e tanto... Quando finalmente alcançamos o final da pista, demos uma bebericada nas nossas águas, o Marcellus assumiu a sua posição de guia e partimos para a subida do Pão de Açúcar: até ali, uma ladeira bastante íngreme...
De maneira geral a galera toda estava em forma e nenhuma fraqueza grave foi identificada até ali... O que fui reparando junto com os outros meninos, em função da inclinação da pedra, era que conforme íamos subindo a possibilidade de retornar ia ficando cada vez mais remota...
Ou seja, em determinado ponto, nem que eu tentasse rastejar com a bunda na pedra eu conseguiria evitar a aceleração do meu corpo em direção à base da montanha... Em pé então nem pensar: dava uma vertigem fudida!!! A certa altura do campeonato essa percepção de no turning back já não era exclusividade minha, do PC e dos outros meninos... O mulheril já havia sacado o drama. Mas o bicho pegou mesmo na hora de usar a tal da "calcinha"... O Marcellus foi na frente e subiu uma carrasqueira lá (vertical toda vida) sem o apoio do acessório, prendeu uma corda num grampo e jogou a famigerada calcinha pra gente... Os mais corajosos foram orientados, vestiram a parada e subiram primeiro... Na verdade, o acessório servia apenas pra dar uma confiança na escalada do sujeito: na hipótese do camarada escorregar, o Marcellus que já estava caçando a corda enquanto subíamos sustentaria a pessoa pendurada pela corda até que ela pudesse se segurar novamente em alguma pedra ou grampo pelo caminho. Quando chegou a vez da Pati Leal (filha da Profa Maria José - Ciências), a casa caiu... Ela disse que não iria conseguir de jeito maneira, que era o fim da linha pra ela, que era pra chamar os helicópteros, enfim uma choradeira e um drama que fez o próprio Marcellucho tremer na base... Ficamos ali um bom tempo fazendo um trabalho psicológico com a Pati, demos água, conversamos, mandamos alguém mais desengonçado na frente pra provar que era possível, enfim esgotamos todas as possibilidades de argumentação da nossa cartola... Nos 45 do segundo tempo ela resolveu ir e tudo deu certo até o final da nossa linha: a chegada no topo do Pão de Açúcar...
Pra nosso deleite, o dia estava espetacular, havia um quiosquezinho pra tomar sorvete e não precisávamos pagar os bilhetes de volta dos dois bondinhos: era brinde para heróis que convenceram a Pati e conseguiram chegar até ali...

beijos,

Um comentário:

Anônimo disse...

Genial, jovs. Aproveito para informar que o referido centurião pode ser encontrado dando aula nas piscinas do Piraquê.