3 de agosto de 2007

Nelson Santive

Como todos nós das turmas de 1988 e 1989 já estamos cansados de saber, principalmente aqueles que entraram no primário, o ensino de gramática portuguesa da nossa época nunca foi lá muito católico... Todos vocês devem concordar que essa característica é sem sombra de dúvida um dos traços mais marcantes da educação dessa turma que se formou entre 1988 e 1990...

Bom, esse papo todo apenas para introduzir a entrada desse personagem bastante divertido no cenário Teresiânico: Nelson Santive, nosso professor de Português do segundo grau... Se não me engano, ele foi contratado pela escola em 1987 (segundo ano do científico da turma de 1988) para salvar a nossa pele nas provas de gramática de vestibular do ano seguinte.

Apesar de ter habitado nossas salas por apenas dois anos essa figura protagonizou inúmeras situações engraçadas, constragedoras e até bizarras!!! Antes de enumerá-las vale lembrar que ele era um coroa já nos seus 60 anos que não tinha a menor papa na língua em nos alarmar da nossa ausência de conhecimentos de gramática, apontando deficiências dos alunos para todos ouvirem e implicar com seus alunos-desafeto sem a menor cerimônia. Aí vão minhas lembranças:

1) Carlos Eduardo Palhares, "ajudado pelo Zé Arthur": em algumas ocasiões de rebuliço incontrolável da turma o Santive parava a aula e iniciava uma arguição tomando aleatóriamente uma vítima incauta... Em dado dia ele resolveu sabatinar o Palhares com as conjugações verbais. Ele escolhia um verbo e saia perguntando sua conjugação em um dado tempo verbal. Como o Palhares (nem ninguém) sabia Xongas, o Zé Pirú (que tinha estudado no Andrews e tinha aprendido gramática decentemente) resolveu partir em seu socorro, soprando os verbos na conjugação pedida pelo Santive. Eu sei que a sabatina durou pelo menos uns 3 verbos em 3 tempos diferentes, e sem nenhuma correção aparente daquilo que o Palhares nervosamente respondia seguindo obedientemente o seu ponto gramatical... Ao final da sabatina o Santive agradeceu e comentou em tom condescendente: "Muito bem Carlos Eduardo! Só que está tudo errado!!" A turma explodiu de rir, pois o Zé Arthur tinha soprado tudo errado e o Palhares ficou praguejando por entre os dentes, com aquele jeito ranzinza inconfundível dele: "FILHO DA PUTA"!

2) Joca e a Playboy em sala: essa história é apenas uma das inúmeras protagonizadas pela dupla Santive-Joca (Os dois se odiavam) na qual eu tive um papel decisivo na primeira expulsão de sala do meu querido amigo Joca. Neste dia sentei do lado do Joca numa das carteiras quase no fundo da sala e fiquei lendo uma revista Veja que trouxe de casa para me distrair da chatura da aula de português. A leitura caminhava muito bem quando me deparei com um daqueles anúncios de página cheia da próxima edição da Playboy com uma daquelas sirigaitas inconvenientemente tapando com mãos e braços os peitos e as partes pudentas. É evidente que essa virada de página entusiasmou o meu amigo da cadeira ao lado e ficamos comentando os atributos da figura da capa discretamente pro Santive não notar... O lance é que no entusiasmo de nossos comentários, tive uma idéia impulsiva e inconsequente de levantar a revista com a página do anúncio da Playboy em evidência dando a entender que se tratava de uma Playboy e não de uma Veja, comentei com o Joca e ele nem titubeou em executar a manobra. Resultado: quando o Santive bateu os olhos na capa da revista nas mãos do Joca: "João Ricardo, fora de sala agora!!!".

3) Eu e Selles: quem conhece sabe que a Selles além de ter sido uma das colegas mais divertidas do colégio, tinha uma gargalhada (espero que ainda a conserve viu, Selles?!) absurdamente contagiante. O fato é que numa daquelas últimas aulas do Santive do ano, às vésperas do vestibular, me sentei com ela nos fundos da sala e começamos, como de costume, a zombar de outras pessoas a nossa volta... Numa determinada piada minha, ela começou a rir desesperadamente e tentar conter o ruído que a gargalhada dela invariavelmente iria causar... O nosso ataque de bobeira foi absolutamente incontrolável e as gargalhadas ouvidas por toda a turma, corredor e cercanias provavelmente... A providência inicial do Santive foi de fazer aquela pergunta ridícula que os professores adoram fazer e que nós nunca vamos responder: "Posso saber o motivo de tanta graça?!". A merda é que nem mesmo a interrupção da aula e todas as atenções voltadas pôde conter nossa fúria do riso... Ele então MANDOU que parássemos de rir. Nada. Pausa. No que ele emendou: "Acho então que você precisam sair para tomar uma água! Fora de sala". EU E A SELLES SAÍMOS DE SALA RINDO SEM AR E SEM PARAR!!!

2 comentários:

Mamaes Brasileiras na Alemanha disse...

Rôôôdrigooooo, volta para as aulas de português! Até hoje nao entendi porque o Teresiano nunca ensinava gramática, era só redacao. O que me salvou a pele foi o Sto. Agostinho, nao o santo em si, mas aquele colegiozinho chato!

Anônimo disse...

Nossa!!! Que saudades!
Quando li o título imediatamente lembrei do episódio da expulsão!! Nem me lembro mais porquê estávamos rindo, mas lembro que depois de termos tomado água e respirado bastante, voltamos para sala. Quando abrimos a porta o Saintive perguntou: "Estão mais calminhos?" Quando olhei pra ele, comecei a rir denovo e desisti de assistir aula!!! Foi uma loucura!
Beijos,
Dri